Histórico
A Diocese de Tianguá foi erigida por Sua Santidade o Papa São Paulo VI, juntamente com as Dioceses de Itapipoca e Quixadá, aos treze dias do mês de março do ano de mil novecentos e setenta e um, por meio da Bula “Qui summopere”. Todo o seu território foi desmembrado da então Diocese de Sobral, passando Tianguá a constituir-se como Igreja particular autônoma e plenamente organizada.
Geograficamente, situa-se na zona norte do Estado do Ceará, Brasil, abrangendo uma área de 9.680,7 km², com população estimada em 486.240 habitantes (IBGE – 2022). A cidade-sede, Tianguá, dista 315 km da capital Fortaleza, sendo acessível por rodovia asfaltada. Embora não figure entre as maiores circunscrições eclesiásticas do país, apresenta desafios próprios decorrentes de sua configuração territorial, marcada por duas realidades distintas e de comunicação limitada entre si: a Região Litorânea e Sertaneja — zona baixa e quente, situada a 103 km da sede (Granja) e a 191 km (Bitupitá) — e a Região da Ibiapaba, denominada “Serra Grande da Ibiapaba”, um planalto que se eleva entre 640 e 950 metros acima do nível do mar.
No âmbito político-administrativo, a Diocese integra treze municípios: Camocim, Granja, Barroquinha e Chaval, no litoral norte; Viçosa do Ceará, Tianguá, Ubajara, Ibiapina, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte e Croatá, no Planalto da Ibiapaba; e Graça, no Sertão.
A economia regional caracteriza-se predominantemente por atividades primárias, como agricultura, pesca e extrativismo. A Ibiapaba, favorecida por uma estreita faixa úmida, destaca-se pelo cultivo de frutas, hortaliças, cana-de-açúcar, flores tropicais e, mais recentemente, rosas destinadas à exportação. No restante do território, predominam os cultivos tradicionais de mandioca, milho, feijão e, nas encostas da serra, arroz — produtos típicos da agricultura de subsistência. A atividade industrial é incipiente, abrangendo setores de confecção, calçados, manufaturas de couro e fibras, conservas e pequenos engenhos produtores de aguardente e rapadura. Nas áreas urbanas, a maior parte dos postos de trabalho depende das administrações municipais e do comércio varejista local, sendo reduzido o número de trabalhadores com vínculo formal.
Eclesiasticamente, a Diocese é composta por 22 Paróquias, 2 Áreas Missionárias e 1 Área Pastoral. A ação evangelizadora é conduzida por 45 sacerdotes, 8 diáconos permanentes e 1 diácono transitório, auxiliados por um expressivo número de religiosas e leigos que, em espírito de corresponsabilidade, assumem a missão de anunciar o Evangelho. Para melhor servir ao Povo de Deus confiado à sua solicitude pastoral, a Diocese adota um modelo de descentralização, estruturando-se em três vicariatos forâneos: Vicariato Norte, Vicariato Sul e Vicariato Centro.
Para o governo pastoral da recém-erigida Igreja particular de Tianguá, Sua Santidade o Papa Paulo VI nomeou o franciscano natural de Canindé-CE, Dom Frei Timóteo Francisco Nemésio Cordeiro, OFMCap, cujo brasão episcopal trazia o lema “Ecce Adsum” — “Eis-me aqui”. Durante dezenove anos de episcopado, lançou os alicerces da organização administrativa e pastoral da nova Diocese. Faleceu em 20 de março de 1990.
Com a Sé vacante, Sua Santidade o Papa São João Paulo II nomeou, em março de 1991, o agostiniano recoleto Dom Frei Francisco Javier Hernández Arnedo, OAR, missionário espanhol radicado em Manaus, que assumiu o governo episcopal em junho daquele ano. Seu lema, “Bonus eris minister” — “Serás um bom ministro” — orientou seus vinte e cinco anos de pastoreio, aos quais se somaram quase dois anos de serviço como Administrador Apostólico.
Com a emeritude do segundo Bispo, e na abundância de Sua misericórdia, o Senhor, por meio de Sua Santidade o Papa Francisco, nomeou em 17 de fevereiro de 2017 o cearense natural do município de Jardim, Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira, para assumir o pastoreio da Diocese de Tianguá. Seu lema episcopal, retirado do Salmo 69,9 — “Zelus Domus Tuae Comedit Me” (“O zelo por tua casa me consome”) — exprime a entrega ardorosa ao serviço da Igreja. Recebeu o báculo diocesano em 20 de maio de 2017, em solene liturgia celebrada às portas da Catedral de Sant’Ana, excelsa padroeira e Mãe de Santíssima Virgem Maria.
Em seu fecundo episcopado, a Diocese tem colhido importantes frutos pastorais e institucionais. Dentre eles, destaca-se a implantação do Dia do Católico no município de Tianguá/CE, estabelecido por meio do Projeto de Lei nº 157/2021, sancionado em 15 de dezembro de 2021. A celebração, fixada para o dia 22 de agosto, data da implantação da referida Igreja Particular, passou a integrar não apenas o calendário oficial do município, mas também de várias outras paróquias da Diocese, chegando a ser inserida no calendário oficial do Estado do Ceará, tornando-se marco anual de fé, identidade e comunhão eclesial.
